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MANIFIESTO TRABAJO SOCIAL ANTE LA CRISIS
 
O Conselho Geral de Escolas Oficiais de Licenciados em Trabalho Social e Assistentes Sociais incita todos os trabalhadores sociais, à cidadania e às instituições (organizações, associações, empresas, meios de comunicação…) a juntarem-se através da adesão a este manifesto.
 

As e os profissionais de Trabalho Social presentes no “XI Congresso Estatal” desejam manifestar a sua posição face à actual situação de crise generalizada:

A cada dia que passa torna-se mais evidente o fracasso de um modelo de crescimento que esqueceu, deixou de lado, e até se desprezaram, os mais elementares princípios de equidade, justiça social, desenvolvimento humano e sustentabilidade.

Não é a primeira vez que, da nossa profissão, chamamos a atenção sobre o facto de que o crescimento económico sem equidade é uma via morta como infelizmente estamos a viver.

Através da Federação Internacional de Trabalhadores Sociais (FITS), face à ONU e outros organismos internacionais, insistimos na necessidade de construir um modelo diferente, não baseado no benefício económico, mas num Desenvolvimento Humano sustentável e harmonioso.

As bases originais da quebra do actual modelo situam-se, como tantas vezes ao longo da história, no enriquecimento sem escrúpulos de uns poucos (muito poucos) às custas dos padecimentos ou da instabilidade do resto do mundo.

As/os Trabalhadores Sociais estão convencidos e convencias – porque esse é o objectivo essencial do nosso trabalho – de que as estruturas mais inamovíveis podem alterar-se. Sabemos pela nossa experiência que os muros que parecem infranqueáveis são sempre superáveis e que onde existe miséria e mal estar pode construir-se – com as pessoas - esperança e bem estar.

Nada é inamovível. Aqueles que nos pretendem fazer crer que as dinâmicas sociais, económicas ou políticas são uma questão nas mais dos deuses do mercantilismo, ou de outras intocáveis estruturas de poder, estão a desapreciar a sociedade no seu todo e cada um de nós e das nossas individualidades.

A cidadania é soberana do seu destino. Podemos e devemos conhecer a situação e transformá-la se com isso nos aproximamos a preencher as quotas de bem estar e felicidade a que temos direito.

Ante a actual conjuntura, e contra sectores de opinião que paradoxalmente, são por vezes responsáveis pela mesma, e que, também, insistem em defender a desregularização de direitos, a continuidade de um neoliberalismo voraz e imparável, e a redução do gasto social, posicionamo-nos com a população mais vulnerável sobre a qual recai o maior custo da crise.

Acreditamos e sabemos que há um modelo anti-crise à margem destes parâmetros canibais. Um modelo que devemos liderar desde a Cidadania, sendo conscientes de que, é o Estado, quem deve garanti-lo.

Um modelo cujos eixos vertebrais e irrenunciáveis são:

  • Enfrentar a iniquidade, garantido os direitos básicos da cidadania a partir do público e com rebeldia plena face às desigualdades territoriais, de género e condição social ou ante o cortar dos direitos que alguns proclamam como solução.
     
  • Considerar o investimento público em serviços e infra-estruturas como eixo chave para a criação do emprego, reactivador de uma nova economia à escala humana e como facto chave de coesão social. Dentro desses serviços e infra-estruturas, consideramos que os Serviços Sociais são o sector estratégico ideal para a criação de emprego, de riqueza e de avanço para novos direitos.
     
  • Aumentar URGENTEMENTE o esforço na protecção social ante as situações de desemprego, de risco de pobreza, exclusão social e situações que perpetuam a vulnerabilidade e que, a longo prazo, têm um custo humano e económico insustentável.
     
  • Implementar uma nova fiscalidade, muito mais progressiva, na qual pague sensivelmente mais o que mais tem, para que todos e todas possamos ter garantida a cobertura das nossas necessidades sociais e o exercício de direitos.

A partir do Trabalho Social, com toda a nossa experiência de intervenção diante das situações de risco e exclusão social, reclamamos duas medidas imediatas como direito subjectivo:

  • Renda mínima que permita um nível de digna para todas as pessoas que careçam de recursos económicos
     
  • Garantia de Serviços Sociais para a inserção social


Hoje em Saragoça, neste XI Congresso, manifestamos o nosso compromisso para fornecer:

  • A nossa voz para que os sem voz nesta crise possam ser ouvidos bem algo e bem claro.
     
  • A nossa vista para observar sempre em primeira linha o que acontece na sociedade real, pisando o chão, e transmitir o resultado do nosso olhar.
     
  • A nossa denúncia e insubmissão diante de qualquer decisão que significa o cortar de direitos sociais ou económicos.

  • A nossa experiência para planear e executar qualquer investimento necessário em novos serviços sociais que ofereçam uns níveis de cobertura impensáveis para alguns, mas perfeitamente alcançáveis.

  • E a nossa firme convicção de que temos de sair desta crise pelo melhor e mais eficaz dos caminhos, que é o da potenciação do Desenvolvimento Humano.